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sábado, 7 de agosto de 2010

Impossíveis pedidos

  • Ter o poder de permitir que meu cabelo cresça até a cintura em uma semana, pra depois cortá-lo, claro!
  • Aparatar e desaparatar [ Bem à la Harry Potter]
  • Usar TODA a capacidade do meu cérebro. Aprender tudo.
  • Ter domínio sobre o tempo. Ex: o dia ta bom, então que ele dure umas 40 horas.Ou: "vou ali na Idade Média, volto pro jantar!"
  • Não ter a necessidade de dormir (impossível mesmo, imagine no meu caso!).
  • Me relacionar amorosamente sem me ferir e/ou ferir.
  • Ter irmãos [ Só pra minha mãe ter com quem reclamar além de mim ]
  • Estudar música desde os 0 anos de idade! hehe
  • Crescer pelo menos 10 cm.
  • Estar em vários lugares ao mesmo tempo, sem perder um detalhe, de nada.
  • Ter ouvido absoluto.
  • Ter uma família imensa!
  • Já ter dado concertos no mundo.
  • Estudar música e violão pelo menos 26 horas por dia, cada um.
  • Já ter composto música, escrito um livro [ou peça teatral], roteiro...
  • Ter pintado um quadro que depois que eu morresse valesse milhões.
  • Assistir, de camarote, como o universo foi realmente criado. E a humanidade. E os seres que houver por aí.
  • Dar uma voltinha na Lua, e em alguns planetas (No sol não, a estrela me lembra o PI e não é por brilhar!). E interagir, é claro! E na língua local X) [A Terra me cansa! eeheuhe]
  • Ter inventado algo.
  • Ver TODAS as crianças do mundo estudando. E os adultos também. Creio que isso seja o maior problema da sociedade.
  • Só haver uma classificação pros terráqueos: a de ser humano! Mais nada de branco, negro, baixo, alto, gordo, magro, gay, hetero, homem, mulher...
  • Não fazer uma lista tão grande!
  • Ahh ia esquecendo...ter um namorado! Sacanagem!!!!

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Solidão Voluntária



Me isolo. Evito confrontos. Evito palavras. Mas elas me perseguem, vindo de uma boca familiar, constante; de timbre que me dá asco, de velocidade que me faz fechar os olhos e orar a Deus pelo silêncio.
Me isolo para procurar a pureza do "sem-som"; a paz do "sem-palavras", do "sem-voz".
Por essa procura tenho me descoberto uma pessoa cada vez mais fechada onde deveria-se haver liberdade - e falante àqueles que não me conhecem tão bem quanto àqueles que presenciam meu silêncio.
Parece-me que a solução está em ser um ser noturno. Enquanto todos descansam, estou em plena atividade; e quando é dia, estou na "noite" do meu canto e embalada pelos sonhos e sono.
Também me descubro extremamente caseira: de férias, posso contar nos dedos de uma mão quantas vezes saí.
Solidão voluntária, seca voluntária. Só me relaciono com o som das notas musicais. Nada do som de gemidos, murmurinhos, risadinhas; nada de palavras (vazias?) de bocas desconhecidas à procura de outra.
Mas isso tudo não significa que quero a inércia. Quero movimento! E principalmente, sentimento.
Um abraço apertado ( e silencioso) seria válido.

quinta-feira, 13 de maio de 2010



(Na)
Re(mo)ta ilusão
É tão f (ra) nca essa
Certeza  (do [?] ) "NÃO!"

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Misto de mim




Júbilo  Ultraje  Liberdade ódIo corAgem libertiNagem 
friezA tEsão Loucura Intensidade Sarcasmo Arte
autoeStima Orgulho sUrpresa deScrença Agressividade
Determinação fidelidAde
Sensualidade Impeto Linguagem Vontade Amabilidade

domingo, 10 de janeiro de 2010

O mundo é um moinho

O mundo é mesmo um moinho, como dizia Cartola.
Gira, gira, mas às vezes parece que não sái do lugar.
Quando acontecem certas coisas de maneira repetida, pode apostar,
alguma lição há p/ se aprender.
Se alguém te machucou e vc reagiu de uma forma,
 vem outra e fez a mesma coisa, há algo que Deus quer nos dizer.
Há algo que vc fez de errado na forma como reagiu da primeira vez, e Deus é tão bom e misericordioso que nós dá a chance de aprender novamente, mas desta vez da maneira certa.
Só depende de você.
É claro e óbvio que a dor não é nada boa, mas não podemos negar que ela nos ensina.
E muito. Andamos felizes, pensando que desta vez não haveria mais pedras no caminho, mas vem outra e te faz tropeçar novamente, se na primeira vez vc chamou palavrão, se zangou, desta vez, apenas lamente, lamente não de ter caído, mas pela pedra que tava ali. Mas também pense que se ela tava ali e te fez tropeçar era pq vc tinha que ver a flor que estava no chão. Apenas remova a pedra do caminho, levante e continue a caminhar, mesmo que esteja machucado. Pode estar certo de que machucados se curam - podem deixar cicatrizes, mas elas te lembrarão de como vc se portou e de como vc evoluiu ao ter desta vez uma postura diferente. Vc vai lembrar que quando caiu havia uma linda flor no chão, que vc pegou e levou p/ casa ou deu a uma pessoa amada, pessoa essa que certamente te estendeu a mão quando vc caiu p/ te levantar.
Outra coisa: não tenha medo de andar de novo e encontrar outra pedra. Não ande olhando p/ chão. Ande de cabeça erguida. Porque vc pode acreditar que haverão pessoas maravilhosas que simplismente te desviarão da pedra, e mais: outras que te guiarão por caminhos onde não haverá perigo.
Tenho tendência a me iludir e pensar que não há pedras no caminho, e pela segunda vez, em um mesmo percurso [ podemos dizer assim] tropeçei.
Outro machucão, nova dor, nova cicatriz.
Mas desta vez não vou choramingar porque caí [ se caí, era pq tinha que ser], nem me revoltar,
nem deixar todos que me amam e que amo preocupados. Não, desta vez vou me levantar, de cabeça erguida, sem uma lágrima no olho sequer, e com a ajuda das pessoas amadas, passar um curativo e esperar que sare.
LSJ, Natal, 09 de janeiro de 2010.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Coração Indeciso ( Alberto Nepomuceno, Op.30 nº1)

Ao princípio era apenas simpatia,
já bem perto do amor,
e minha alma vibrava; alma fulgia
num festivo esplendor.
E tu tão meiga e doce e terna eras então...
Tomei como se fosse meio sim, meio não!


Depois já era mais que simpatia,
muito mais, era amor
um palpitar perpétuo; a alma sofria
num perpértuo terror.
Mas teu olhar espera, dizia.
E que expressão!
Comigo tinha que era meio sim, meio não.


Finalmente foi mais que simpatia,
e foi mais do que amor:
foi paixão, desvario; eu não vivia
senão por teu favor.
Mas tu, quando eu por fim te abri meu coração,
não me disseste sim, nem me disseste não.


(Poesia - Frota Pessoa)

sábado, 2 de janeiro de 2010

Vidro

Era uma vez um vidro: límpido, fabricado com todo carinho e esmero. Feito especialmente para enfeitar tal parte daquela casa. Só que ,como todo vidro ,era transparente, absorvia tudo, além de ser marcado com dedos das pessoas que passavam ali, algumas se encostavam e só depois se davam conta de que estavam manchando-no.
Os donos da casa, e consequentemente do vidro, estavam sempre ali, para limpá-lo e alertar as pessoas para terem mais cuidado com o objeto que fora caro.
Mas parecia que o vidro tinha vida própria: mesmo com toda a dedicação, vez ou outra o vidro se sujava e ficava todo manchado. Vieram os primeiros arranhões... Mesmo sendo consertado, o vidro não seria o mesmo...
E assim, vez ou outra vinha alguém e arranhava o vidro...até que certa vez o quebraram.
Que desespero! Aquele vidro raro todo espatifado no chão...E o culpado nem para arcar com o prejuízo, quem teve todo o trabalho foram os donos. Os donos e um certo rapaz, que nunca havia chegado perto do vidro e a primeira vez que o viu foi naquelas condições... mesmo assim, o rapaz achou o vidro muito bonito e se propôs a ajudar. Mandou consertá-lo se caso os donos aceitassem sua ajuda. E foi aceita.
O rapaz foi ganhando a confiança dos donos do vidro, que ficaram felizes em saber que ainda existiam pessoas bondosas no mundo. E o vidro estava sendo consertado com sucesso. Apesar de não ser mais aquele, pois agora quem o visse, veria algumas partes coladas, mas eram só pequenos detalhes. Só quem vira o vidro vindo de fábrica perceberia a real mudança que ele sofrera.
Só que o rapaz que ofereceu ajuda já tinha experiência em carregar vidros, e certa vez deixou cair um. Ficou traumatizado e prometeu não mais carregar vidro algum, só ajudar a consertá-los.
O vidro estava finalmente consertado, todos felizes porque o vidro voltaria a seu lugar na casa. O rapaz ficou temeroso em carregar o vidro até a casa, explicou a situação aos donos, mas eles não quiseram saber: queria a ajuda do rapaz p/ carregar o vidro e levá-lo finalmente p/ casa. O rapaz, mais uma vez hesitou e disse que não conseguiria carregar o vidro...os donos ficaram chateados, mas nada podiam fazer. Trouxeram o vidro p/ casa eles mesmos. Ainda assim se questionavam porque o rapaz  que se encarregara de ajudar  de bom coração na hora de levar o vidro p/ casa , que seria o grande momento, desistiu. Estranho. Mas é que o rapaz tinha medo de pegar o vidro, que era incrivelmente especial e diferente e ao invés de levá-lo p/ casa dos donos, levar p/ a própria casa... foi assim que ele acabou se machucando.

O rapaz sumiu. Mal sabe ele que quando os donos foram colocar o vidro no seu devido lugar, uma mão a mais faltara, a qual seria tão necessária naquele momento, para dar mais firmeza ao serviço, que o vidro acabou escorregando e se espatifou no chão de novo.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Os três

Um não quis,
Outro quer,
E outro nem sabe que vai querer.


Um perdeu,
Um empata,
O outro vence.


Um é ódio.
Outro é prazer.
O outro é amor.


Um foi pesadelo.
Outro é realidade.
E o outro é sonho.


quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Hoje

Hoje eu vi o passado cara a cara, frente à frente. Insisti, mas quando ele se viu, sob a minha forma, desviou. Preferiu seguir a diante. Eu também. Passou por mim. E eu fiquei no passado, desdenhando dele.
Quando vi que ia por um caminho, escolhi outro. Mas na esquina nos encontramos. Dessa vez ele que olhou pro passado, e eu preferi o futuro. 



segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Reencontro

"Nunca pensei que me fosse acontecer algo do tipo. Não sei se foi sorte ou extremo azar. Ter te encontrado depois de tanto tempo e o destino ter decidido que só nos amaríamos como homem e mulher depois de estarmos separados...sinceramente, não sei o que foi aquilo.
Quando o destino impõe um reencontro dessa espécie, fico a pensar o porquê. Mas desta vez não. Pelo simples fato de querê-lo como nunca. E aconteceu.
No tempo em que estávamos juntos, nunca nos sentimos como nesse dia. Nunca tinha sentido teu corpo no meu ou ouvido teus gemidos com tanta intensidade.

Ocorreu de eu ir ao lugar que nos era comum. Te vi. Gelei. Tremi. Dessa vez não fugi ou desviei o olhar: continuei te encarando e seguindo em sua direção. Para minha surpresa, você nem se movei dali.
Teria a chance de fazer o que nunca fiz. Você estava ali, à minha frente.

Cheguei perto, mais perto,e , ao invés daquele frio de antes, me veio um calor ardente e pensei: por que não?
Fui mal intencionada, e pelo 'efeito' que teve, foi infalível. Tu percebeste na hora. Devia estar no meu jeito de andar, de te abordar, no olhar.
Meus olhos se encontraram com os seus; aqueles olhos que eu tanto admiro. Nada disse. Os olhos faziam a vez da voz.

Sei de meus encantos e pela primeira vez os usei com más intenções.
Encostei minha boca perto de tua nuca e sussurei algo em teu ouvido. De primeiro, você hesitou. Mas eu sou tentação, amor. Não precisou muito e já estávamos aos beijos.

Beijo voraz, violento, pecaminoso ( estávamos ambos cometendo traição), delicioso. Nele tinha tudo: tempo, saudade, vingança, libertinagem. Principalmente libertinagem.
É claro que os beijos pediam mais. E eu queria mais. Tua vontade não importava.

Um lugar? Que lugar? Lugar...banheiro. O levei. Nos levamos.
Banheiro deserto e escuro. Ninguém nos acharia ali. Mesmo assim ainda corríamos algum perigo... Pimenta .Afrodisíaco.

Nos devoramos. Esse foi o verbo. Outro não caberia aqui.
Foi devassador do primeiro beijo ao último gozo. Tinha momentos em que você parava pra me observar. Tu não me reconhecia...Tu não me conhecia. Tu não me conhece. E eu ali, altiva, saboreando a vitória enquanto você se perdia.

Beijos, mãos, línguas, membros, sabores, sons...

Já tava me vestindo e você ainda encostado na parede do banheiro, ofegante.
Me olhei no espelho, me ajeitei, passei meu gloss e já tava saindo - assim como uma puta sai depois que acaba o serviço - quando tu, em meio as palavras sem fôlego, começa a falar:
- Seu número ainda é 8...
- Não me ligue. Não sou nada sua.
- Mas...
- Me esqueça. Vim aqui me despedir do pessoal, to indo embora da cidade.
- Não me procure. Não quero nada contigo.
Saí, fechei a porta e o deixei lá, no breu, perdido e confuso.

Estava feliz. Tinha conseguido realizar meu feito. Só não saberia dizer até quando."

Fiquei tão extasiada com a estória de Amélie que nem percebi que a carta estava toda borrada de lágrimas.

sábado, 31 de outubro de 2009

Gota

Gotejou, gotejou, gotejou,
Gotejava tanto que um rio virou.
De vez em quando achava um pouco
e gotejava mais um pouco.

Gotejo amargo, salgado, irritante.
Gota no mesmo lugar. Monótono.
Quase incessante.
Viu a hora se afogar naquele gotejo constante.

Gotejante, gotejante, gotejante, gotejante,
Viu que essa vida de gotejar era errante
E o gotejo foi ficando cada vez mais distante.

Gota, gota, gota,
O rio que antes corria com força,
Agora virou lagoa.
Depois lago.
Escasso.

E agora só tem o espaço
Onde gotejava, gotejou e ainda goteja:
Gotejo doce, doce,
Doce.Cereja.

Mas no espaço onde o rio era
Ainda há correnteza.
Só o que a menina não quer é
Que o rio de novo se encha

E que se for para encher
Que seja de gota, gota doce
De cereja.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Carta

Natal, 27 de outubro de 2009.

Minha querida,

Eu te amo, mas não desse jeito. Material. Você é divina, celestial. Nós, humanos, tentamos te aprender, te entender. Mas não é algo pra todo mundo. Não é pra mim. Não mais. Pensei que te levando como profissão fosse te sorver mais, te sentir mais. É claro que hoje sei mais de ti do que antes e, falando a verdade, eu sinto o mesmo prazer de anos atrás, de quando só dedilhava as cordas do meu instrumento sem saber ao certo que estava fazendo. É o mesmo prazer que sinto quando toco olhando pra uma partitura, entendendo seus detalhes.

Qual a diferença então? Nenhuma. Chego a conclusão de que não preciso de academias e de técnicas para ter-te. Para fazer-te. O prazer em ouvir-te é o mesmo, saindo tu de minhas mãos ou não.

Quereria eu ter a dedicação que certas pessoas têm em estudar-te. Ter a paciência e a disciplina que tu exiges quando passa do papel para os ouvidos. Mas não tenho.

Ah, é verdade que dou aulas. Mas apenas te mostro aos outros. Apenas isso. O quanto você é fantástica. Você me fez conhecer pessoas maravilhosas. Com você senti tudo: alegria, medo, remorso, decepção, satisfação...e por aí vai.

Quero que entendas que não é você, e sim o contexto em que se inseres hoje em minha vida. Como você se mostra, como eu te vejo: humanamente.
Tenho tantas outras paixões e para ser justa contigo, teria que ser fiel a ti. Não sou. Quero experimentar outras sensações, aprender coisas novas, antes que seja tarde.


Saibas que jamais te abandonarei.

Te amo.

Juliana Elisa.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Enxaqueca

Minha cabeça lateja desde sábado. É uma enxaqueca incômoda, que me deixa aérea, tonta e ainda mais sem paciência. Tudo isso porque sexta o vi. Estava atravessando a rua, justamente pensando em seu nome, que saiu da boca de uma amiga sem querer. E aí vi aquele perfil, que reconheceria até na penumbra. E a sensação...ah, a sensação... Foi tudo meio sem nexo, assim como éramos. Assim como eu era em relação a ti. Olhei em volta procurando oxigênio, enquanto uma onda fervente de ódio e saudade subia pelo meu corpo. Logo fechei a cara e me encaminhei pro outro lado da rua. Não queria que me visse. Não quero que me vejas assim, no estado em que me encontro. Se eu estava prestes a desabar, você foi o estopim, meu querido, e desabei.

Esperando o ônibus pra ir para casa, estava eu em choque e assim fiquei até o amanhecer. As lágrimas me deram bom dia. E junto com elas esta dor de cabeça infernal e a garganta ardendo como bônus. Se os olhos não viam, e meu coração sentia, imagine os olhos fotografando cada gesto seu, e aquele olhar de que percebeu minha presença, e eu, como covarde que sou, fugi à resposta
.


segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Confissão-desabafo

Quão rápido esse ano passou! Aliás tendo sido assim há algum tempo. Mas especialmente este ano, sinto que perdi muito dele, e tempo não volta, só conhece "o pra frente". Sendo mais direta, os últimos três meses têm sido os mais desperdiçados: passei eles no passado, enquanto o tempo é futuro, então o que aconteceu? Parei. Parei de sonhar, parei de acreditar tão facilmente nas pessoas. Parei de pensar num futuro que hoje sei que não é pra mim. Parei de tentar deixar meu cabelo crescer, parei de tentar emagrecer. Parei. Parei de ser a menina que fui um dia, tolinha, vivendo na mentira. Parei para avaliar o quanto eu mudei nesse período. Parei e percebi que me tornei pior. Pior em relação aos sentimentos, ao meu comportamento.

Paro agora e confesso que sinto inveja de quem tem alguém ao seu lado. Confesso que queria ser outra pessoa e estar em outro lugar. Confesso que sou chata e sem paciência e que esses últimos meses só fez me revelar. Confesso que tenho depressão bipolar e não faço nada para tratá-la. Paro e percebo pela primeira vez em minha vida que
sou triste e não tenho a mínima vontade em lutar contra a tristeza. Sou mal-humorada, malcriada, ingrata e covarde. Confesso. Porque iria colocar o que tenho de bom? Outra coisa: aprendi a não ser hipócrita. Tenho qualidades como todo mundo, mas hoje, parei para falar de meus defeitos.

Parei e percebi que hoje vejo o mundo com perspectivas piores. Confesso que, sinceramente, não sei se o ser humano tem esperança de um mundo melhor. Confesso que sou tão fraca, que uma decepção [ somada à seqüelas de outras] me derrubou de tal maneira que me tornei assim. Mas também paro e agradeço as oportunidades que surgiram nesse tempo. Santa rotina! Paro e agradeço a única coisa que me faz levantar da cama todos os dias [ mesmo que de mau-humor]: a Música. Confesso que quando estou com ela, sou uma pessoa ligeiramente feliz. "E os seus familiares e amigos?" Eles são meu alicerce, mas sei que eles podem [ e tem todo o direito] de se cansarem de mim. Confesso que sou carente, mas não sou doce, nem um pouquinho.

Por isso não vou forçar e nem pedir para ninguém me amar e muito menos pra se compadecer. Sei muito bem quem sou [ e algumas pessoas também o sabem] e outra coisa que aprendi foi a ter consciência: confesso que sendo do jeito que sou, não vou muito longe, e pior, não me vem vontade de mudar essa situação.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Ainda

Estava a filha no quarto, meio triste, quando a mãe entra e diz:
- O que está havendo minha filha? Tô notando você assim desde terça.
- Nada, mãe. E baixa a cabeça.
Então, como se ali todos os pensamentos da garota estivessem expostos, pendurados como as roupas estavam na cadeira, a mãe pergunta:
- Ainda?
E a menina só faz concordar com a cabeça.

domingo, 11 de outubro de 2009

Domingo ( Diário II)

As manhãs são alegres também, mas hoje acordei com uma sentença: "Queria que essa menina fosse fazer um estágio bem longe, que ficasse bem longe! Quanto ódio meu Deus!". Veja como é contraditório "ódio" e "Deus", mas aqui em casa elas cabem muito bem em uma frase. Agora isso tudo porque tem uma sacola no chão, que eu não apanhei, e quando minha mãe veio falar dela, eu, que estava dormindo, coloquei o travesseiro no rosto. Ela mesma disse outra sentença mais tarde: "quando se está com raiva se faz coisa que nem pensa". É verdade, mas eu digo que aquela primeira frase do dia me deu muito em que pensar. Eu já nem me abalo mais, não choro, nem me sinto a coitada. Mas é como se ao invés de lágrimas, uma corrente de ar hipergelada adentrasse meu peito, fazendo com que meu coração se petrifique um pouquinho mais.
Tudo bem, eu já planejo isso mesmo, devido à minha profissão. Como dito antes é meu destino ser só. Mas devo confessar que ir embora nessas condições não é lá muito legal.
Meu aluno chegou, dei aula normalmente, salvo minha avó que foi perguntar ao aluno se eu era uma boa professora. Com a resposta positiva, vovó também sentencia :"é porque eu nunca botei fé nela" e começa a rir. Assim como a raiva faz você dizer coisas que nem imagina, a inocência também. É verdade vovó, isso a senhora nunca me escondeu: quanto a minha profissão, a senhora nunca colocou fé mesmo. E mais uma vez, não me sinto a coitada, nem com raiva ( até porque ela não faz isso por mal), mas digamos que isso seja um estímulo para que eu melhore cada vez mais na profissão linda que escolhi. Mas também ressalto que quando ouço uma dessas, todas as anteriores me vem à cabeça, como já disse, minha memória é malditamente excelente.
Vou dormir para esquecer, mais uma vez ( se fosse beber para esquecer, estaria falida e alcoólotra! rsrsr). Tive sonhos cheios de amor, do único amor verdadeiro na minha opinião: o amor de mãe. Acordo mais pensativa de que quando fui dormir e venho pra cá, pra tentar esclarecer todos esses pensamentos, transformá-los em palavras e encarar a realidade.


Sábado ( Diário I)

Manhã alegre:
Observo todos aqueles rostos com vontade de aprender.
Quando os vejo, lembro-me daquele propósito, o por quê disso tudo.
Também me recordo que um dia eu estava do lado de lá
E agora (já) estou do lado de cá.
Passa um filme na minha cabeça, sabe? Do quanto eu já trilhei, que uma
parte deste caminho está por findar e de tudo o que está por vir.
Tudo isso por causa de um: "Professora!"

Já nas tardes,
É como se eu fosse outra pessoa, pois me lembro de cada detalhe
daqueles antigos sábados ( maldita boa memória!).
Se um filme me passa pela cabeça de manhã, também me vem outro a tarde, sendo este
de final triste, com pausas, câmera lenta, cenas adicionais e comentário do diretor (rs!).
E todo este investimento em vão, vale salientar.
Durmo para esquecer as lembranças vespertinas.

A noite é o tempo da reflexão;
a noite é maravilhosa: venho pra cá escrever,
separar o joio do trigo, lavar a roupa suja, me purificar.
Adentro a madrugada escrevendo, lendo ( ah, a leitura! Ela me transporta p/ longe do que sou, e pode acreditar que às vezes isso é ótimo!) assistindo meus filmes pela qüinquagésima vez (outra maneira de "sair da Juliana").

Mas, pensando bem,
se ocupo minhas tardes no passado, e minhas noites no "se eu fosse" o que me resta?
As manhãs! São os únicos momentos reais e presentes ( com persperctivas pro futuro).
Taí o remédio!




sábado, 3 de outubro de 2009

Declaração à la Platão

DESCULPE-ME A CRIANCICE, MAS É QUE ANDO MEIO
ASSIM, DESCRENTE DO AMOR REAL, ENTÃO NÃO VEJO
NENHUM PROBLEMA EM TER UMA PAIXONITE DESSAS.
IMPOSSÍVEL, É VERDADE, MAS ANTES IMAGINÁRIA
E FELIZ DO QUE CARNAL E ENGANOSA.
LAMENTO MINHAS DECEPÇÕES, MAS TE AGRADEÇO
REALMENTE POR EXISTIR E ME PERMITIR SUPOR QUE
AINDA POSSO ENCONTRAR PESSOAS COMO VOCÊ.
DURANTE MINHAS DESILUSÕES E NOS MOMENTOS DE SOLIDÃO,
CONFORTO ERA E É O QUE VOCÊ DÁ, E COMO JÁ SEI
LIDAR COM O PLATONISMO, ELE NÃO ME FAZ MAL, É
INFINITAMENTE O OPOSTO: TU VENS PARA ALIVIAR A DOR QUE ME
FERE. ME FAZ ESQUECÊ-LA. ADMIRO O MODO COMO O FAZES E O QUÃO
FANTÁSTICO ÉS! NÃO É NADA, É SÓ IDENTIFICAÇAO PELO QUE DEDUZO
E NEM SEI SE ÉS ASSIM MESMO. MAS SEI QUE TE AMO!

domingo, 20 de setembro de 2009

Luto



Uso três fitinhas pretas



para simbolizar o meu luto
:


Luto da menina que tinha 21 anos
;


Da morte da ingenuidade




E o luto daquelas sete semanas e de tudo o que se inseriu nela.


Até você.

domingo, 13 de setembro de 2009

To the future passion ( Recado à futura paixão*)



In a thousand crazy deliriums
I hug you in empty days mine
Expecting to feel the tremors
Of my body in your arms

I am proving every day, little by little
The flavor of lips thine
The seconds despair in the compass
In the space of desire

My mind has arrested me
I don't want to know about leave
My mind is my space. Here
I've got the illusion of to live

In a future of gladness where I have got you
And it will be thus until I die of annoyance or delirium...


*Versão original em http://kroletrange.blogspot.com/2009/09/recado-futura-paixao.html