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quinta-feira, 13 de maio de 2010



(Na)
Re(mo)ta ilusão
É tão f (ra) nca essa
Certeza  (do [?] ) "NÃO!"

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

My English lifesaver

 

You are my lifesaver.
When I feel confused, lost, sad,
I choose you.
when I don't know what to do, 
I choose you.
You are the most beautiful british accent
I've ever seen.
I chose you.
When I saw you for the first time...
 "Will be you"
I knew you would be my choice,
Since that time I read you.
I love you
My choice.



segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Confissão-desabafo

Quão rápido esse ano passou! Aliás tendo sido assim há algum tempo. Mas especialmente este ano, sinto que perdi muito dele, e tempo não volta, só conhece "o pra frente". Sendo mais direta, os últimos três meses têm sido os mais desperdiçados: passei eles no passado, enquanto o tempo é futuro, então o que aconteceu? Parei. Parei de sonhar, parei de acreditar tão facilmente nas pessoas. Parei de pensar num futuro que hoje sei que não é pra mim. Parei de tentar deixar meu cabelo crescer, parei de tentar emagrecer. Parei. Parei de ser a menina que fui um dia, tolinha, vivendo na mentira. Parei para avaliar o quanto eu mudei nesse período. Parei e percebi que me tornei pior. Pior em relação aos sentimentos, ao meu comportamento.

Paro agora e confesso que sinto inveja de quem tem alguém ao seu lado. Confesso que queria ser outra pessoa e estar em outro lugar. Confesso que sou chata e sem paciência e que esses últimos meses só fez me revelar. Confesso que tenho depressão bipolar e não faço nada para tratá-la. Paro e percebo pela primeira vez em minha vida que
sou triste e não tenho a mínima vontade em lutar contra a tristeza. Sou mal-humorada, malcriada, ingrata e covarde. Confesso. Porque iria colocar o que tenho de bom? Outra coisa: aprendi a não ser hipócrita. Tenho qualidades como todo mundo, mas hoje, parei para falar de meus defeitos.

Parei e percebi que hoje vejo o mundo com perspectivas piores. Confesso que, sinceramente, não sei se o ser humano tem esperança de um mundo melhor. Confesso que sou tão fraca, que uma decepção [ somada à seqüelas de outras] me derrubou de tal maneira que me tornei assim. Mas também paro e agradeço as oportunidades que surgiram nesse tempo. Santa rotina! Paro e agradeço a única coisa que me faz levantar da cama todos os dias [ mesmo que de mau-humor]: a Música. Confesso que quando estou com ela, sou uma pessoa ligeiramente feliz. "E os seus familiares e amigos?" Eles são meu alicerce, mas sei que eles podem [ e tem todo o direito] de se cansarem de mim. Confesso que sou carente, mas não sou doce, nem um pouquinho.

Por isso não vou forçar e nem pedir para ninguém me amar e muito menos pra se compadecer. Sei muito bem quem sou [ e algumas pessoas também o sabem] e outra coisa que aprendi foi a ter consciência: confesso que sendo do jeito que sou, não vou muito longe, e pior, não me vem vontade de mudar essa situação.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Eu só e mais ninguém





"Hoje eu tô sozinha/Não sei se me levo
Ou se me acompanho/Mas é que se eu perder
Eu perco sozinha /Mas é que se eu ganhar
Aí é só eu que ganho..."

Hoje Eu Tô Sozinha
Composição: (Ana Carolina)



Devia ter suspeitado desde o início que eu seria assim.

Jeito próprio. Estilo próprio. Amor-próprio.
Ah, olha aquela foto, eu poderia estar ali, daquele lado.
Ah, olha aquele relacionamento no orkut, eu poderia estar ali, fazendo parte dele.
As Helenas de Manuel Carlos, a Garota de Ipanema, a protagonista da comédia-romântica.
Eu poderia ser qualquer uma delas. Mas sou eu.
Estilo próprio. Amor-próprio. Dor própria.
Devia ter suspeitado que todas as escolhas me levam a esse destino.
E quando pensei que não estaria só, estava. Estou. Sou.
Amor-próprio. Dor própria. Caminho próprio.
Solidão? Não.
"Oh! Estou sozinha na escuridão!" Não!
Sou sozinha, sob a luz do sol, com tudo bem claro ao meu redor.
Não estou perdida, nem desiludida, apenas sendo realista.
Amizade. Família. Música. Dia-a-dia.
Amor? Aff!!! Tocou na ferida!
Porra! Puta que pariu!
Propósito. Proporcionalidade. Propínquo.
Proposta. Procrastinador. Problema. Probabilidade.
Proptose. Procumbir. Procura
Producente. Porra! Puta que pariu!
Dor própria. Caminho próprio. Eu-próprio.
Foi opção? Não. Conseqüência.






segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Cores


Dia desses, assistindo a um vídeo seu - e mais uma vez contemplando sua beleza, que de todo jeito é bela, até mesmo com aquela maquiagem diferente que usava - me fez ter uma idéia...
Até mesmo antes de saber se você aceitaria, fui naquela loja e comprei umas tintas, deixei tudo preparado - acho que já sabia que você não iria negar uma brincadeirinha dessas!
- Tava assistindo um vídeo seu.
- É? Qual?
- Aquela entrevista que você tá com aquela maquiagem diferente, o cabelo pintado...
- Ahh, sim...sei qual é. Você sempre me disse que minha beleza se valorizou com aquelas tintas e tal...Mas por que...Não! Não é o que eu to pensando...
- Já comprei tudo.
Fiz exatamente do jeito que estava no vídeo, à exceção das roupas - não havia necessidade delas.
- E agora? Vai ficar me olhando é?
- Vou! Deixa eu apreciar a minha obra de arte! Como você é lind...
De repente, tudo ficou colorido.
- Minha vez!!!!
E o seu azul malicioso que brilhava se misturou com o meu rubor quente, ficando lilás. O seu ruivo com o meu loiro escuro, deu laranja intenso, como as chamas da lareira. O calor ajudou na mistura das cores - as tintas derretiam. O branco de nossos sorrisos se mixaram ao escarlate ardente de nossos lábios mordidos, dando o rosa. Ah! Mar de rosas!
E o rosa entrelaçou-se com o preto dos teus olhos grandes borrados, virando vinho. Ah, também tinha o vinho branco, o tinto... Até o marrom dos chocolates, o vermelho das cerejas, o branco leite condensado entraram na nossa "aqualera".
Havíamos pintado as sete cores do arco-íris. Vimos pelo menos um três deles... Com direito a pote de ouro no final.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Ambição


Diálogo entre Mary e Anne Boleyn.
"- Você está sempre apaixonada - Disse Ana com irritação. - Parece numa grande bola de manteiga, sempre gotejando amor por um ou por outro. Antes foi o rei e conseguimos nos dar bem. Agora é a filha dele, o que não vai nos adiantar nada. Mas você não liga. É sempre a mesma coisa: paixão, sentimento, desejo. Isso me deixa furiosa.
Sorri para ela.
- Porque você é só ambição - eu disse.
Seus olhos faiscaram.
- É claro. O que mais existe?
Henry Percy pairava entre nós, palpável como um fantasma.
- Não quer saber se o vi? - perguntei. Foi uma pergunta cruel e a fiz querendo ver dor em seus olhos, mas minha malícia não surtiu efeito. Sua expressão foi dura e fria, como se tivesse parado de chorar por ele e nunca mais fosse chorar por um homem.
- Não - replicou. - De modo que pode dizer-lhes que nunca mencionei seu nome. Ele desistiu, não desistiu? Casou-se com outra mulher.
- Achou que o tinha abandonado - protestei.
Olhou para longe.
- Se fosse um homem decente teria continuado a me amar - disse ela, a voz ríspida. - Se fosse o contrário, eu jamais teria me casado enquanto meu amante estivesse livre. Ele cedeu, deixou que eu partisse. Nunca o perdoarei. Está morto para mim. Posso estar morta para ele. Tudo o que quero é sair deste buraco e retornar à corte. Tudo o que me restou foi ambição."

Trecho do livro "A irmã de Ana Bolena", de Philipa Gregory.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

A Aliança


“Pros erros há perdão; pros fracassos, chance;

Pros amores impossíveis, tempo. De nada adianta

cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance

cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance. Não deixe

que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo

impeça de tentar...”

Luis Fernando Veríssimo.


Perguntaram-me por que uso uma aliança. Respondi: "Porque tenho um compromisso."
Uma aliança pode representar muito mais do que usar um simples anel no dedo anelar; uma aliança é uma promessa, é comprometer-se a um propósito, a não esquecê-lo. A anel está aqui para isso.
É curioso como um objeto pode influenciar sua psiquê.
É curioso como nós precisamos de uma coisa material para selar algo que é imaterial.
Pois bem, alianças servem para namorados, noivos, marido e mulher, enfim.
Mas para mim ela me serve de alerta, de aviso; cada vez que a olho me lembro de uma fase que findou sem resultados e me aconselha a começar outra.
Com um objeto desses em meu dedo, posso ousar a avaliar o caráter das pessoas. Saber se elas levam o compromisso a sério; se respeitam o compromisso dos outros assim como respeitam ou respeitariam os seus próprios. Com que pessoas é válido ter um compromisso?
Ainda é curioso as semelhanças entre eu e o material e que é feito o dito anel.
A aliança é feita de aço: dura, gelada, que não oxida. Mais uma vez ela vem simbolizar minhas atitudes: duras, frias, que não se modificam.
No começo, o anel incomodava um pouco, pesava, me fez um calo. A aliança também tem seu preço: ela também me faz calos, me incomoda, e, às vezes, me sinto pesada. Mas assim como o uso do anel se tornou um hábito, meu compromisso também: não tiro minha aliança nem pra dormir!
A aliança também me lembra do compromisso nunca selado. Da menina que nunca prometeram se comprometer, apesar da menina já estar comprometida. A aliança me lembra das meninas que se aliaram ao invés daquela que já estava aliada. Da menina que se comprometeu em não ter compromisso, temendo que no fim, a aliança, a promessa seja depositada em outro dedo.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Sinceramente

Sabe?

Sendo sensível

Sofri.

Sendo sincera:

sentimento?

Senti.

Sofrimento?

Sei saltar sem surpresas.

Ser surpreendentemente

Sádica.


Suprimir suspeitas.


Suprir sede, sabor.

Sentir soluço salgado.

Saciar seus sinais.

Salvar sujo s
ábado.

Sabe? Sendo sensível soube

Ser solícita, sórdida, sagrada.

Sendo sincera: sou safada!


Sou Sim! Sobre...


Sentir sem saber se...

Será?


Solução:

Sair sem "sempre".

Somando "sua".


Sentindo-se saturada:


Saudade, suma!







segunda-feira, 31 de agosto de 2009

A ira de Amélie

Paris, lundi, 31 Août 2009.

Não vou nem perder tempo colocando as frases em frânces como costumo fazer... Amélie escreveu-me uma carta furiosa. Não comigo, obviamente, mas com sua situação.
Eu a compreendo. Às vezes dá raiva mesmo. Não existe outro nome para o que ela sente hoje senão raiva.
Amélie, assim como toda jovem, passou por uma desilusão. O problema dela, a causa de sua ira é que está tentando de tudo pra contornar esse episódio e até agora não conseguiu de fato.
"Escrevo -te, minha amiga, esta carta para vomitar minha ira!!Isso mesmo, vomitar!!! Não aguento mais essa sensação, esse pensamento constante que me aflige e o que é pior : abala minha auto-estima e meu desempenho na vida!
Não aguento mais dormir e acordar com este único pensamento, este nome, esta face que me aparece e me aborrece como um fantasma todos as noites e me dá "bonjour" todas as manhãs!
Esta sensação que me suga, me deixa sem forças, sem vontade. Além de tê-la o tempo todo, o que já é extremamente desconfortável, é como se ela ainda cobrasse pedágio por eu senti-la e exaure todas minhas reservas.
Sinto-me impotente por não conseguir afastá-la. Por não conseguir controlar seus efeitos. Nem ao menos aprender a conviver com ela. Ao invés da resignação, me vem a revolta!
Meu desejo é ausentar-me de mim mesma e ser outra pessoa por algum tempo. Ah! Se pudéssemos fazer isso, como quando enjoávamos de um brinquedo e íamos brincar com outro.
Ah! Se eu pudesse! Seria "cette personne ", para saber como age intimamente. Como realmente é. O que pensa desta pobre "fille" que de tão desgostosa, prefere ficar às escuras e investigar-lhe a viver a própria vida.
Falam-me de tempo, mas confesso que não tenho paciência para esperá-lo. Talvez seja essa minha ansiedade desmedida que me faça ter essa sensação constantemente e, assim como uma bola de neve, vai me deixando cada vez mais irada.
A ira! Ela se mistura com essa "coisa" hora me fazendo chorar de angústia, hora de ódio.
A ira! Quereria eu ter o poder de me ausentar e desta vez me espiar, avaliar minha inocência, alertar contra minha própria tolice, censurar minha língua e colocar rédeas em meu coração!
Mas infelizmente, essa avaliação só acontece depois da desgraça, quando "aquela sensação" já se infiltrou em você e a faz pensar com rancor e frieza.
Que posso fazer, minha amiga? Se não tentar me conformar e pedir a Deus que não me faça uma pessoa medrosa? Só peço que quando encontrar ouro no chão, não pense que é "merde" e desvie!

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Bougies d'anniversaire

"Angustia" Oswaldo Guayasamín.


Paris, lundi, 24 Août 2009.



Mon Amour,

Tous les lundis (todas as segundas),Je pense que cette angoisse (eu sinto essa angústia)...
- Amélie, permettez-moi de traduire, en portugais est meilleur."(Amelie, deixa eu traduzir, em português é melhor.)
- Oh! pardonne-moi, oui, oui" ( Me perdoe, sim, sim).
- Quand vous voulez, Miss. ( Quando quiser, senhorita.)
- Oui, merci.

"Todas as segundas, eu sinto essa angústia. Ela vem de repente e, quando dou por mim, já estou completamente cheia dela.
Essa angústia que mesmo sem eu querer, me faz lembrar você, pois você é a causa disso tudo.
Fico me perguntando o porquê de ser sempre as segundas, e daí eu me lembro que deve ser porque eu esperava demais pelas segundas, pois nos finais de semana não nos víamos. Lembro-me que ficava nervosa, com as mãos gélidas, meu coração disparava e meu corpo tremia...
Só que essas sensações ainda não me abandonaram, e toda segunda eu as sinto, ou toda vez que tu me vens à cabeça. A diferença é que nas segundas a dor vem primeiro, fazendo com que de maneira cruel , eu me recorde de ti.
Como disse na carta anterior, que minha amiga traduziu para vocês, já não choro mais, porém, sou tomada por lembranças e questionamentos. Sempre peço para ela por minhas dores aqui, em forma de palavras, e assim me sinto melhor. Agradeço àqueles que sempre as lêem.
Também me lembro de ter dito que o meu amor havia sido platônico, mas, na verdade, foi mal correspondido...
Dia desses estava conversando com um amigo, e ele me disse que eu só fiquei assim, que eu só estou assim porque criei expectativas demais. Doeu, doeu ainda mais quando ele me disse que tu me deixastes porque realmente gostava da outra menina. Também me disse que era porque não era para acontecer.
Tudo bem...já to acostumada a sempre não acontecer.
Sinto falta. Falta de ter um companheiro. Mas sempre fui só mesmo... ("Ce drame, Amélie!")
- Mais vrai!(mas é verdade!)
- Tá. Desculpa. Continue.
- Você tem razão, minha amiga, é porque dada as circunstâncias atuais, isso tomou proporções muito maiores, desde o começo, inclusive. Mas saiba que estou tentando dar a volta por cima, estou mesmo, mesmo que às vezes eu tenha algumas recaídas...Não quero deixar minha família e nem meus amigos preocupados, só quero que saibam que me esforço ao máximo para combater essa tristeza. Ela já existia, pois sempre fui uma pessoa um pouco carente ("Je ne sais pas si c'est le bon mot ... " - Tudo bem, deixa 'carente' mesmo.), não por falta de carinho, mas por sempre querer tudo perfeito. E quando acontece algo do tipo, é como se SÓ aquilo fosse me completar...Mas claro que não é verdade, o que seria de mim se não fossem meus amigos e minha família?
Agora vou tratar minha vida como se fosse um bolo de dois andares: no primeiro , está minha família, meu alicerce. No segundo, meus amigos. Tratarei meus amores como velas de aniversário: só são colocadas uma vez por ano; têm sua importância, pois representam concretamente o começo de uma nova fase, fazem parte daquele bolo por alguns instantes, como se o bolo só fosse completo com elas, mas que derretem, se apagam e precisam ser substituídas. As velas não interferem no sabor do bolo( a menos que você deixe a vela derreter tanto, que ela vai afundar e deixar o bolo azedo..."A angústia! Você é demais, Amelie" - eu grito.) e enquanto não chega outro aniversário, elas são completamente dispensáveis.

Avec amour, Amélie. "





quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Conversa de bar

Joyce era uma mulher de 30 e poucos anos que já passara por poucas e boas em relação ao sexo oposto - naturalmente, como toda mulher. Mas no caso específico de Joyce, havia um "agravante": não se encaixava no que definimos ser "um padrão de beleza"- em outras palavras: era feia. E também "levemente acima do peso","gostosa", "fofa" como ela mesmo dizia.
Vivia bem de vida e de bem COM a vida. Tinha um bom emprego, carro, casa...enfim.
Além disso, como pessoa era ótima: personalidade forte, determinada, extrovertida. Tinha muitos amigos, era super bem relacionada. E mais: Joyce tinha um incrível senso de humor. Com as experiências pelas quais passou, Joyce, ao contrário do que se espera, ao invés de ter se tornado uma pessoa amargurada, não, soube aprender com seus erros e com os dos outros e "rir da própria desgraça".
Certa vez, Joyce e suas amigas inseparáveis - bem à la Sex and the City - estavam tomando suas "margueritas" (apelido para cerveja, criado por Joyce), contando os babados da semana, em uma mesa de bar, quando Clara, uma de suas amigas, contou:"Amigas vocês já sabem né? Eu e o Ricardo terminamos...Tô sofrendo tanto! Ai ameeegas se não fossem vocês, não sei o que seria de mim!"
Beatriz, que era a mais "durona" do quarteto ( pura fachada!)
, não deu muita trela p/ que Clara dissera, uma vez que a achava "muito dramática" e "romântica demais".
Como que para mudar daquele assunto que Bia achava uó, contou as meninas que semana passada havia sido assaltada. Bia conseguiu o que queria: o rumo da conversa mudou completamente. Agora as três conversavam seriamente sobre a violência - menos Joyce, que estava aérea, como se nem tivesse ali...e, de repente, começou a gargalhar.
- Joyce, você tá bem? Indagou Mariana, a mais tímida das quatro.
- Deve estar bêbada, também depois de dez margueritas! Respondeu Bia.
- O que foi? Qual a graça disso tudo? Perguntou Clara.
Joyce começou a explicar a razão daquela espécie de espasmo que acara de ter: tinha feito uma comparação bizarra, mas até interessante. Então falou:
"Homens são igual a violência (todas a olham espantadas): se nós deixarmos nossas bolsas abertas, o perigo de ser assaltada no meio da rua se torna maior, assim como deixar o celular visível...enfim. Se deixarmos de comprar algo por medo de sermos assaltadas, nos sentimos presos, sem liberdade. Se ficarmos pensando na violêcia o tempo todo, piramos. Se deixarmos de pensar completamente, podemos ser pegas de surpresa."
Beatriz indaga:"e o que fazer então?"
Joyce, que passou por aquelas tais desilusões e decepções de maneira mais "intensa", digamos assim; que por muitas vezes se enganou, porque as pessoas só se aproximavam dela por ser rica e inteligente. Isso fez com que Joyce criasse uma espécie de sexto sentido, fazendo com que só se deixasse aproximarem dela pessoas de confiança, como suas amigas, ali à sua frente. E também, como sempre fora muito esperta e determinada (tudo que conseguiu na vida foi por puro mérito e dedicação; não por beleza e nem porque deu pro chefe) sabia exatamente a resposta:" o lance é ter o cuidado habitual com sua segurança, estar alerta, mas que isso não te impeça de você querer sair à noite, por medo; que você curta sua vida normalmente."
- Se houver um assalto, pois ninguém está livre disso, não procure ficar traumatizada, mais alerta, talvez, mas nunca diga "não saio mais de casa!" Até porque o assaltante, ou a quadrilha (dependendo do impacto da ação), pode invadir sua casa, roubar tudo o que você tem, e aí você vai ter que comprar tudo de novo. "Gente, não vai ser um ladrãozinho, que vem lá dos cafundó, que vai atrapalhar nossa vida!" As quatro caíram na gargalhada.
- Joyce, você não existe! Não é que se encaixa direitinho a sua comparação? Diz Mariana.
- Danada!! Exclama Bia.
Mas clara pergunta:" se mesmo tomando todas essas medidas, ainda há o risco real de sermos assaltadas em nossas própias casas, o que a gente faz?"
Joyce, mais uma vez responde sem pestanejar: - Entrega nas mãos de Deus, afinal foi Ele que criou o homem, e não é culpa Dele que alguns virem assaltantes. Do jeito que a violência anda, é quase impossível acreditar que ainda haja lugares seguros, mas eu sei que há. Ainda podemos ter uma vida em paz. Então, só Deus. Só Deus.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Truth

The truth is...
No, the truth wasn't true.

So, which truth is true?
That whole thing,
to a certain extent,
was true?
Was it possible that you were,
For a moment or two, by my side?
Or that whole thing
was a great lie?
After everything that happened,
is it that I do receive?
After all, which truth
must I do believe?

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Pólen


Havia passado 2 anos desde aquele confuso término de namoro. Isabel ainda lembrava e sofria vez ou outra, recordando os momentos que passara com Vinícius. Ela o considerava especial, apesar de tudo o que aconteceu. Quando Isabel conheceu Vinícius, estava decidida a não ter mais medo de entregar seus sentimentos, de demonstrá-los; pois até ali, a postura "não vou me envolver" não tinha dado bons resultados. Quando começaram a namorar, Isa estava feliz e acreditava que havia encontrado o homem certo, já sonhava até em ter uma família com ele. Já Vinícius era um cara "boa pinta", bonito, atraente, até divertido - se considerarmos que Isa estava apaixonada e portanto, achava graça em tudo que Vinícius dizia. Isabel era uma novidade p/ ele: uma mulher bonita, elegante, que já tinha uma certa estabilidade financeira, frequentava teatros, participava de recitais, saraus, era poliglota...Enfim, uma mulher diferente das do universo de Vinícius. Os dois divergiam nos gostos, preferências. "Mas isso é besteira" dizia Isa. Mas bem certo é o ditado que diz que somos feitos de nossas escolhas, e nossas escolham dependem de nossas preferências. "O amor é cego" dizia Shakespeare; digo mais: o amor, além de cego, é surdo. Os amigos de Isabel alertavam-na para o perigo dessa relação, mas Isa, sempre pensando positivo, acreditava que Vinícius poderia surpreender a todos e mostrar que a relação dos dois iria dar certo. Até deu, por um certo tempo. Mesmo com as desconfianças e suspeitas. Chegaram até mesmo a noivar. "Nossa, a Isa casando..." pensavam seus amigos. Estava indo tudo bem...Até que, de repente, tudo virou ao avesso: Vinícius relutava com a idéia do casamento, andava estranho...Isabel desconfiou e descobriu que tudo não passou de uma grande mentira. Descobriu ainda que Vinícius sempre estivera com outra. Nossa, que decepção! Isabel sofreu tanto...A dor de saber que tudo, absolutamente tudo, era pura mentira.E ainda mais: a traição...caso antigo; Isabel fora uma breve brisa que veio de longe, se aventurou a voar mais baixo, carregou consigo uma folha - mas folhas pertencem a terra, então, a folha voltou ao chão, atraída pela gravidade e a brisa voltou a voar sozinha. Isa adorava analogias e era boa em fazê-las. Mas voltando ao desfecho da estória...Isabel, que acreditou tanto naquele namoro, ficou bastante triste, sofreu, chorou - muitas vezes de raiva, por ter se deixado enganar. "O tempo cura." "Tudo passa." E dois anos depois de tudo, Isabel encontrou com Vinícius. Ele está diferente, mais maduro talvez...e casado! Nossa, não é que ele casou com a Tatiana? Isabel se surpreendeu, afinal, pensou que revê-lo seria ruim, mas não, foi renovador, pois Isabel teve a certeza de que os dois nunca iriam dar certo, e que Tatiana era bem o tipo de Vinícius; eles realmente davam certo: os dois "boa pinta", bonitos (se bem que Isa achou Tatiana meio vulgar), atraentes (também, com os decotes que Tatiana usava...), até divertidos. Moravam em uma casa modesta, ele continuava no mesmo cargo de dois anos atrás, ela, dona de casa. Sim, eles eram felizes, mas Isa percebeu que não queria esse tipo de vida e que Vinícius realmente não era o homem certo. Hoje, Isabel é funcionária federal, possui uma bela casa, carro importado, uma ótima vida. Ainda não achou o homem certo, mas agora, mais madura, não tem pressa e muito menos medo, pois ela sabe que Vinícius fora apenas uma prévia, o melhor está por vir. Como a própria Isabel diz:"sou como uma brisa, e brisas que voam mais alto carregam consigo polens : são mais difíceis de se ver, porém, são leves e por isso são capazes de acompanhá-las. Folhas tem aos montes, são mais pesadas e tendem sempre a voltar ao chão."

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

O Zangão e a Borboleta

Era uma vez um zangão que decidiu se afastar um pouco, ir a um lugar que raramente ia. Este lugar era repleto de borboletas. Ele simpatizou com uma. Ela ficou surpresa pela aparição do zangão e de alguns operários...
As borboletas voam por aí à procura da flor ideal. É difícil uma borboleta ficar quietinha, em uma pétala por exemplo; mas dessa vez, a borboleta repousou onde o zangão estava colhendo néctar.
Se aproximaram.A borboleta achou diverto o modo de vida do zangão, ele lhe abrira um mundo diferente do qual ela estava habituada.
Passaram a se encontrar naquela mesma pétala todos os dias. A borboleta se apaixonou. O zangão ia lá buscar seu néctar...Não que ele não gostasse da companhia dela. Várias vezes o zangão pensou em fazer da borboleta sua abelha rainha.Ela pensou o mesmo.
Mas como pode uma borboleta adentrar em uma colméia? Como pode o zangão deixar de fazer seu trabalho para fazer longos vôos com sua amada? Borboletas são mais graciosas, têm asas maiores, alçam vôos mais altos.
A borboleta já deixava de fazer suas jornadas para ficar a espera do zangão na pétala. O zangão continuava indo, mas cada vez mais só p/ buscar seu néctar. Um dia, o zangão não apareceu...A borboleta ficou zangada...Depois soube que seu zangão tinha ido buscar néctar em outra flor, a mando da abelha rainha e influenciado pelos seus amigos operários.
A borboleta, apaixonada, não percebia que a flor em que se encontravam estava começando a morrer...Assim, dali a alguns dias, não haveria mais néctar. O zangão sabia, e já planejava outro lugar p/ continuar seu trabalho.
Passaram-se alguns dias, e a borboleta começou a perceber seu zangão estranho...Ele disfarçava...Chegou até mesmo a ir onde a borboleta morava, e a borboleta ficou ainda mais encantada.
Um belo dia, porém,depois da morte da flor, a borboleta vendo que não tinha mais néctar, sugeriu que o zangão a acompanhasse, pois onde ela morava havia um belo jardim. O zangão alegou que era muito trabalhoso ir lá todos os dias. Isso deixava a borboleta intrigada: afinal, qual era a dele? Ele não quer minha companhia? O que ele era?
Mas a abelha rainha ordenou que o zangão fosse trabalhar naquela flor, aquela que tinha deixado a borboleta chateada.
Nunca mais se viram; a borboleta, arrasada,foi procurar consolo em seus vôos e o zangão continua a colher seu néctar. Só que zangões não colhem néctar; têm função reprodutiva e são alheios as atividades da colméia.O zangão se fingia de operário.
A borboleta vez ou outra vai lá onde havia aquela flor, aquela pétala
e chora.



PS: Inspirada pela música "When Ginny kissed Harry" da trilha sonora de Harry Potter e o Enígma do Príncipe.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

No meio do caminho

No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho

tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.
Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra"

Carlos Drummond de Andrade.

Você é como uma pedra no meio do caminho; eu estava feliz, de salto, não vi quão grande vc era e tropecei.
Caí, de início achei engraçado, divertido - nunca mais tinha tropeçado - todo mundo riu comigo e, naquele momento, eu fiquei feliz, dando gargalhadas.
Só que há um problema: as pedras não te devolvem a alegria porque são seres inanimados, podem até ter uma certa beleza, serem atrativas, mas são como objetos colocados em seu caminho, que tiveram a sorte de estarem ali, pegar alguém desprevinido e de salto, que foi lá e caiu.
Depois das risadas, começei a sentir um desconforto...uma estranha dor nos joelhos e no meu pé...Será que eu o fraturei? Não, não, foi só uma torçãozinha. Foi porque a dor de início foi tão forte que eu pensei que tivesse sido algo mais grave. A dor estranha nos joelhos...sim, quando os reparo, vejo que os machuquei, estão arranhados e um deles até sangrando um pouco.
- Ora mais que droga! Eu reclamei. "Por que essa pedra foi aparecer no meio da minha caminhada? Tava tão boa..."Ah! Mas eu vou me descabelar por uma pedra? Que por sorte dela conseguiu atenção (mesmo nessas circunstâncias) de uma mulher, mas que estava distraída na hora? A pedra estava no meio de uns arbustos, por isso não a vi claramente. Mas depois da queda, vi que era só uma pedra.
Ainda caída no chão, olhando meus joelhos e meu pé que nem tinha torcido de verdade, o qual já estava sem dor, vejo que há várias mãos me oferecendo ajuda, e ainda, aquelas que vinham comigo e me alertaram do perigo de haver uma pedra, mas eu, na minha inocência respondi:" Não, há só um arbusto ali, eu o atravesso..."
Meus joelhos doem, justo na hora em que precisava deles perfeitos. Mas o quê posso fazer? A pedra estava ali, e eu acreditei só na maciez da grama.
As mãos continuam lá, estendidas. Pego uma, consigo quase me levantar, mas aí sinto o pé reclamar de novo..."Mas ora! Pensei que já tinha passado!" Fraquejo...Mas há tantas mãos ali, pego outra, consigo ficar de pé, mas fico mancando por causa dos joelhos e do pé. Alguém diz: "P/ pé tem o engesso e p/ joelhos band-aid." É verdade! Alguém os providencia e cuida de mim...Agora, é só dar tempo ao tempo p/ que o pé, agora imobilizado, se cure, e os joelhos cicatrizem.
Logo, logo, voltarei a dar minhas caminhadas, de salto, com tudo perfeito novamente: o pé em perfeito estado (tratado com fisioterapia e alguns analgésicos) e os joelhos sem nenhuma cicatriz.
Mas fico alerta: cuidado com as pedras! São só pedras, mas podem causar danos maiores se não houverem mãos p/ te levantar e , o mais importante: se não houver a vontade de ficar de pé.
Da próxima vez, já não vou estar tão distraída e tomarei cuidado quando vir um arbusto: passarei entre ele com dobrada atenção, pois, se houver uma pedra, eu simplismente passarei por cima dela.